terça-feira, 14 de julho de 2009

Hão de Chorar por Ela os Cinamomos..

Hão de chorar por ela os cinamomos,
Murchando as flores ao tombar do dia.
Dos laranjais hão de cair os pomos,
Lembrando-se daquela que os colhia.

As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . "
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.

A lua, que lhe foi mãe carinhosa,
Que a viu nascer e amar, há de envolvê-la
Entre lírios e pétalas de rosa.

Os meus sonhos de amor serão defuntos...
E os arcanjos dirão no azul ao vê-la,
Pensando em mim: — "Por que não vieram juntos?"

Alphonsus de Guimaraens


As vezes, raras vezes, me deparo com poemas como esse q assustam por sua pura e brilhante perfeição em todos os conceitos por qual julgamos poesias. Ritmo perfeito, métrica igualmente boa. Emoção que transborda da caneta do escritor. E significado, muito significado. Uma pérola da poesia brasileira.


Um comentário:

  1. Realmente é muito difícil escrever sobre a ausência ainda mais quando há presença na ausência.... È meio complicado mesmo... Palmas pra ele!! rsrs

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