quarta-feira, 24 de junho de 2009

Germinal - Emile Zola

Desta vez contrariei o ditado que diz para nunca julgar um livro por sua capa. Pude imaginar que estava comprando uma magna opus, obra prima, quando entrei num sebo aqui da cidade e o vi separado de todos os outros livros, em uma estante ao lado, como que em um pedestal iluminado por luzes de holofote, com sua capa preta e titulo expressivo. Repita: GERMINAL. G-E-R-M-I-N-A-L. Brilhante nome; nome sanguinário, para um livro igualmente violento.

Há tempos não lia um livro de tamanha qualidade. Germinal narra brilhantemente a historia da família Maheu, mineradores de uma mina de carvão, e de seus companheiros de aldeia e trabalho. Obrigados a trabalhar em condições desumanas, eles travam uma luta contra o sistema trabalhista da época.

Zola, de uma maneira ou outra, fez uma critica ao sistema capitalista que florescia na época e também expôs o leitor aos primeiros passos de vida da doutrina marxista, ideias comunistas, e a luta operaria; e por consequência a todos problemas presentes em uma revolução, ainda que de pequeno porte. A critica ao trabalho quase que escravo dos mineradores me faz lembrar a critica ao trabalho feita por Kafka em A Metamorfose.

Mas não quero focar aqui na historia. Ela é muito boa e não desejo estragar a emoção para quem vai ler. Ao invés disso, vou comentar o que mais me chamou atenção no livro: a forca narrativa de Zola. A sua habilidade e escolha de palavras faz do livro uma obra de arte. Mas não espere paisagens arcades e bonitas: o ponto marcante da obra é o seu tom grotesco, sujo, e macabro. Boa arte é isso, te da arrepios. Sempre ao relatar o livro para alguém, as memorias invadem o meu cérebro e sou envolvido por náuseas e vontade de vomitar. As cenas de miséria, sujeira, fome, sangue, sexo, e pornografia ficam na mente. Não são para os fracos de coração e estômago. Portanto, podemos traçar mais uma vez um paralelo dessa obra com a obra de Kafka.

Segue um trecho que deixa explicito a linguagem de Zola:

"Nenhum sinal de alvorada clareava o céu morto, apenas os altos-fornos e as fornalhas de coque ensanguentavam as trevas,sem alumiar seu mistério. E a Voreux, do fundo do seu buraco, com sua postura de bicho maligno parecendo cada vez mais retraído, respirava agora mais grossa e amplamente, como que sofrendo com sua dolorosa digestão de carne humana."

Para concluir, a questão universal sobre a eficácia e validez de revoluções e ideias revolucionários, direita e esquerda, sempre vai existir, assim como livros que abordam tais temas: como Germinal e Doutor Jivago. Independente da sua opinião, tu vai querer bater no seu chefe e começar um motim no seu escritório. Então, se decidires largar o emprego após ler o livro, tenha um plano B. Leia Germinal. Pode mudar sua visão em certos conceitos.

Os Trabalhadores do Mar - Victor Hugo

Esse livro é uma incógnita para mim. Ao tentar explicar á minha prima a minha experiência ao ler-lo, inventei uma teoria de buteco sobre livros chatos. Cheguei ao seguinte resultado: existem dois tipos de livros ruins. O primeiro tipo são livros como O Ateneu, que são completamente ruins e não é possível salvar deles sequer um parágrafo ou frase para colocar no MSN. O segundo tipo são livros como Os Trabalhadores do Mar, que são muito parados, chatos para ler, e bastante tedioso a não ser por alguns momentos de ápice em que a atenção do autor eh cativada; porém, deles são possíveis salvar muitas coisas.

Surpreendentemente, eu e meu amigo fizemos uma musica com passagens do livro. Não vou postar aqui pois prezo os ouvidos daqueles quem conheço.

Sim, é possivel aproveitar algumas passagens de Os Trabalhadores do Mar, um livro excessivamente romântico (chega a ser bem cómico). O que me desanima nele são as oscila coes na narração (Victor Hugo deve ter feito de propósito, só pra tirar uma com a nossa cara). O livro é emocionante de 75 a 75 paginas. Vai de aventuras rápidas e interessantes a narrações intermináveis e tediosas sobre madeiras de lei e sua eficácia nas embarcações em um segundo.




Eu nem ia comentar sobre esse livro, apenas o faço porque quero dedicar uma passagem dela para Michelle:

"Há uma porção celeste nessa menina. Alegras-te por vê-la tão esquiva, tão ligeira, tão ligeira, tão fugitiva; agradeces-lhe a bondade de não ser invisível, ela, que poderia, creio eu, ser impalpável. Neste mundo o lindo é o necessário. Há mui poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! A beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quando a rodeia; ás vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se para, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana; não faz nada, nada que não seja estar presente, e é quando basta; de todos os poros sai-lhe um paraíso; é um êxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho de que o de respirar ao pé deles. Tem um sorriso que - ninguém sabe a razão - diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que diga?"


"Quando há duas criaturas, a vida é possivel. Havendo uma só, parece que nem se pode arrastá-la. É a primeira forma de desespero. Mais tarde compreende-se que o dever é uma série de aceites. Contempla-se a morte, contempla-se a vida, consente-se na última. Mas é um consentimento q sangra."

Quanta saudade. Assim que tiver mais coragem, escrevo algo.

O Ateneu - Raul Pompéia

Meuuuuuu...coloca um coturno militar e me da um chute no saco. Sem comentários. Horripilante. Agora entendo aquela piada (a lá A Praça é Nossa) corriqueira em livrarias de escola: Já leu O Ateneu? Não? Nem eu!

Terminar esse livro foi uma luta árdua. Tive que colocar a faca no dente, prender a respiração, e ter sangue nos olhos. Prefiro correr maratonas.

Confesso que essa foi a primeira obra impressionista que li. Não fiquei admirado. Impressionismo ou exibicionismo? Impossível discernir. Eu sei que muitos críticos dizem que livros dessa vanguarda não são ruins e que somente nós, pessoas menos favorecidas intelectualmente, os odeiam. Mas que se dane.

Mas eu ainda tenho esperanças que outros autores dessa corrente, como Conrad, Proust, e Henry James, possam fazer eu mudar de ideia. Mas vou confessando que não estou animado.


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Anna Karenina & Luzia Homem

Muito prazeroso essa mudança de cenário ao ler livros com protagonistas femininas (mesmo achando que o papel de Anna é superestimado). Existem milhões de Ivans Karamazovi, Juliens Sorel, Quincas Borbas, Doms Casmurro, e Dons Quixote na literatura mais apenas algumas Annas Karenina, Luzias, e Madames Bovary. Vale a pena então notar o caráter forte dessas duas grandes representantes do sexo feminino na literatura mundial.

Luzia e Anna não dividem apenas historias com acontecimentos semelhantes, mais também uma força expressiva de caráter, apesar de serem bem diferentes. Prefiro Luzia pois a acho mais humana e mais ligada a realidade, mesmo que as duas tem a sua historia ao redor do mesmo período de tempo durante o começo do século XIX.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Luzia Homem - Domingos Olímpio

Antes de começar, deixo aqui meu protesto contra todos os livros da vanguarda naturalista do mundo. Ao ler algum desses ótimos exemplares, saberás porque.

Mesmo sobre meu protesto, Luzia Homem é um livro brilhantemente escrito, assim como muitos romances regionalistas da época. Domingos Olímpio expõe com muito êxito todo o cenário nordestino da época assim como as tradições locais. Em meados de 2009, livros assim são uma das poucas fontes onde podemos buscar conhecimento sobre nossos antessapados nordestinos de épocas tão distantes.

Luzia é uma mulher peculiar, no sentido que é diferente de qualquer outra personagem feminina da época. É forte, determinada, tenaz, e endurecida devido ao meio que vive. É muito interessante ver uma pessoa com tais características passar por tantas mudanças ao decorrer da historia e encontrar em si mesmo o seu lado feminino e humano.

Minha única reclamação não é com o livro, mas sim com uma constatação que fiz ao ler-lo: apesar de muitos dizer que a língua portuguesa é a mais linda do mundo e a ultima flor do lácio, caramba, como pode ser horripilantemente feia as vezes. Ler palavras como crapiúna, Quinotinha, botija, cangalha, párias, adejantes, e pudica fazem o leitor tremer. Sei que os puristas dirão que estou errado e que afirmar algo assim é um ato criminoso porque tal afirmação deve levar em conta muitos parametros e etc..Mas tenho que tirar isso do meu peito! Mas fique tranquilo leitor, o livro é de alta qualidade, e assim fica fácil relevar essas palavras tenebrosas.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Anna Karenina - Leão Tolstoi

Para começar, vamos ser sinceros e concordar que o livro não deveria se chamar Anna Karenina e sim Levin Dmitrievitch.

A historia centrada ao redor de Levin é muito mais interessante do que a da "heroína" Anna. Levin confronta e vence, apesar de todos os seus sofrimentos, o maior adversário que o ser humano pode ter: si mesmo. Levin consegue vencer através de uma luta árdua, que envolve muito perdão próprio, seus conflitos religiosos, profissionais, e amorosos (o fora que ele leva logo no começo do livro é monstruoso, mas não vamos falar agora de cenas tão humilhantes).

Ao contrario da historia de Levin, a historia de Anna é chata demais. Anna é chata demais. Que vontade de dar um pedala nela. Chata, ciumenta, birrenta, mimada, e vingativa. Essas são as muitas qualidades de Anna Karenina. Alias, não só dela, como de todas as pessoas apaixonadas; e é por isso que a historia é chata. É uma historia velha e que acontece com todo mundo pois todos nos temos um pouco de Anna dentro de nós. Portanto, quando queremos ser apresentados a uma historia de amor desastrosa, não precisamos ler Anna Karenina; precisamos apenas lembrar das nossas. Já são desgraçosas o bastante.

Em suma, um livro bom, apesar do nome equivocado. Muito bem escrito, com capítulos curtos, o que torna a leitura agradável. Vale a pena ler-lo pela história de vida de Levin, que pode servir de exemplo de como perdoar a si mesmo, pode muitas vezes ser o caminho da felicidade.

Anna Karenina - Leão Tolstoi (Parte 2)

Abandono infantil é inaceitável, independente de amores ou paixões safadas fora do casamento. Uma criança é muito maior que tudo isso. Abandonar uma criança ainda em sua idade infantil por causa de algum homem ou mulher é grotesco. Quer se separar, pois bem, não problema nisso; mas isso não lhe da o direito de negar apoio ao seus descendentes. Muitos pais separados dividem a guarda de seus filhos na mais perfeita harmonia.

A partir do momento que você tem um filho, é necessário respeitar-lo, amá-lo, e aceitar o fato de que quando em condição de guardião de uma criança, algumas de suas liberdades cessam de existir. Por esse e outros motivos, não gosto da Anna. Ela tem muito que aprender com RRRubia, futura mãe dos meus 12 filhos.

Crianças foram feitas para serem amadas!!


sábado, 20 de junho de 2009

O Duplo - Dostoevsky

Pura loucura e psicose desde o personagem principal ao jeito que Dostoevsky construiu o texto.

Com todo respeito, sei que Dostoevsky devia ser uma homem muitíssimo inteligente mas para escrever obras como essa e tantas outras de sua autoria, ele devia pelo menos ter um dedao do peh, se não no sanatório, pelo menos em um consultório psiquiátrico. Os mais aventureiros dizem que ele frequentava a secao de auto ajuda nas bibliotecas moscovitas.

Feche os olhos e lembre-se dos seus dias de colégio, pode ser que vc ainda esteja neles. Agora tente recordar aquele ser excluído da sua classe, o quietao, esquisitao, estranhao, aquele q nunca era convidado para as festas e churras, que ate tentava fazer amizades mas nao conseguia por ser taxado como o chato. A figura que tu tem em mente agora provavelmente se parece muito com Golyadkin, um funcionário publico e personagem principal do livro.

Ao se encontrar com uma copia sua, mesmo q inexplicavelmente, Golyadkin, começa uma jornada pelos rios da extrema loucura, uma jornada marcada pela dualidade, hipocondria social, ambicao, complexo de inferioridade, sentimento de persiguicao, e relacoes conturbadas em seu local de trabalho.

Toda essa loucura se traduz tb na linguagem do livro. Os diálogos travados entre Golyadkin e seus interlocutores são marcados por uma esquizofrenia léxica, frases extremamente repetitivas, que deixa o leitor confuso e com extrema raiva de Golyadkin e Dostoevsky, por nos fazer sofrer tanto ao ler a palavra "senhor" 3484 vezes na mesma frase.

Influencia clara e direta para Kafka, na composição da sua obra prima "A metamorfose" ( alias, dois livros bem semelhantes), O Duplo merece uma chance, especialmente para quem esta afim de ler um livro relativamente simples, mas que permite um estudo psicológico interessante dos seus personagens, assim como em outras obras de Dostoevsky.

Gente Pobre - Dostoevsky

Gente pobre (alias, um nome bem legal para um livro, mas ainda prefiro Pobre Gente..bom..enfim..) eh uma obra atipica quando comparada com outros trabalhos de Dostoevsky. A historia nos mergulha no romance de Makar e Varvara, um casal apaixonado que devido a condicao precaria em q se encontram nao podem sonhar com o matrimonio.

Sua escrita em forma de cartas produz um efeito interessante no leitor: a aproximacao ao extremo com os personagens da obra e um olhar privilegiado dentro dos seus psicologicos e sentimentos mais profundos. Em adicao, os relatos de pobreza e miseria das classes russas menos favorecidas eh algo raramente visto em obras da era dourada da literatura russa, cujos personagens pertencem na maioria das vezes a aristocracia rural ou governamental da sociedade. Ou seja, uma mudanca agravadel para o leitor que nao esta acostumado com historias cujos personagens pertencem a periferia.

Dostoevsky elabora dai um estudo, mesmo q maquiado, da massa pobre de Sao Petesburgo, todas as dificuldades por ela encontrada, e o efeito disso sobre o psicologico da populacao. Algo interessante que se pode destacar da obra eh a maneira como a pobreza afeta a auto-estima dos personagens que a partir dai comecam a mostrar a sua inabilidade de alterar seus destinos em uma sociedade estamental. Alem disso, podemos citar a leve critica que Dostoevsky faz ao sistema trabalhista russo do seculo XIX, q nao apoiava seus trabalhadores nem financeiramente, nem psicologicamente.

Em suma, Gente Pobre eh um livro que proporciona uma experiencia que apenas um romance epistolar pode trazer. Agora, vou me retirar, e ir escrever uma carta, pois como ja diz o ditado: Me fale uma coisa, e eu acreditarei, me escreva a mesma coisa, e acreditarei ainda mais.

Doutor Jivago - Boris Pasternak (Parte 2)

"As instituicoes civis devem brotar de baixo, em bases democraticas, como mudas de arvores plantadas na terra, q criam raizes. Elas nao podem ser implantadas de cima, como estacas."

Muito interessante esse trecho do livro onde Boris Pasternak critica ousadamente revolucoes q ao conseguir atingir suas metas, usam de forca bruta e totalitarismo para impor suas regras.

O tempo prova que governos q usam disso tendem a nao ter exito ou gozar de grande aprovacao publica. Exemplos sao o fracasso da ditadura jacobina q fora esmagada pelos termidorianos (exemplo dado no livro) e muitos outros governos, tipicamente de paises subdesenvolvidos e miseraveis (leiam ditaduras e governos americanos e africanos). Sera q podemos citar a queda da URSS tb?...nao sei..vcs me dizem...

No livro, Pasternak cita cenas de assassinatos, execucoes em massa, fome, e outras atrocidades q mostram que a Revolucao Russa foi sim, muito sangrenta e que sua lideranca era composta por muita gente q ao subir ao poder, tomou ares oligarquicos e tiranos. Posso estar errado, nem de longe sou um perito em historia, mas lendo coisas assim, fica facil acreditar que A Revolucao dos Bichos, livro de George Orwell, descreveu corretamente o q foi esse acontecimento historico.

O ser humano e sua mania de deixar a oligarquia reinar...

Doutor Jivago - Boris Pasternak

Vou ser sincero. O livro eh muito ruim. Tao ruim, que chega a dar raiva. Apesar de tudo isso, ao acabar-lo vc percebe que apesar de tao ruim, voce gostou do livro e passa a reconhecer a sua importancia no contexto historico russo-socialista. Isso da mais raiva ainda. Como gostar de algo tao entediante?

Sim, Boris Pasternak era muito macho e muito louco. Essa eh a unica explicacao plausivel para respondermos que tipo de pessoa escreve um livro desse em um regime totalitario, onde a censura era imposta livremente.

Considero que o livro eh uma descricao "nao-fantaciosa e nao-sensacionalista" do cotidiano russo durante as revolucoes de 1905, 1917, a primeira, e segunda guerras mundias. Pasternak mostra todos os horrores que a guerras trouxe a populacao russa, sem medir palavras: As mortes, assassinatos, fome, doencas, intolerancia, e totalitarismo. Ou seja, um verdadeiro balde de agua fria para todo o programa de propaganda politica sovietica vigente na epoca. Nao eh surpresa que o livro soh foi publicado em solo russo apenas 1m 1988 e que Pasternak fora proibido de receber o premio nobel por ele ganho em 1958. (Tenho que pausar e me perguntar como q ele conseguiu ganhar esse nobel?.....eh chato admitir q um livro desse merece...mas talves mereca mesmo).

Os pontos marcantes da obra, a desilusao com a revolucao e a descaracterizacao do ser humano, sao sozinhos razoes para ler o livro, por mais entediante q ele seja ( prometo q vou tentar pegar mais leve daqui para frente). Nao se pode dizer q se trata de um livro de direita e totalmente anti-revolucionario, mas pode se tracar uma distincao clara entre a obra e o resto da producao literaria do periodo, como por exemplo as obras inflamadas de escritores e poetas da epoca.

Nao podemos comparar o livro com Os Possessos de Dostoevsky, por exemplo. Mas talves a analogia pode ser feita com o autor de Os Possessos. Como Dostoevsky, Jigavo foi de simpatizante a revolucao, a uma pessoa calma, q advogava o bem estar da populacao acima de tudo.

Sobre o aspecto artistico, nao ha muito o q pode ser dito. Mesmo pq, a nossa experiencia ao ler o livro em portugues, e nao em russo, torna a leitura pobre quando levamos em consideracao que Boris Pasternak era conhecido como um poeta, um mestre da lingua russa q recorreu a toda sua habilidade para fazer do livro sua obra prima, um "overture", com perfeicao quase q chopiniana. O que podemos dizer eh que suas dissertacoes sobre arte sao meio confusas e escuras e que suas descricoes desnecessariamente longas da paisagem russa sao muito cansativas e fora de lugar. Sao semelhantes, eh verdade, as de Aluizio de Azevedo em sua obra O Mulato. Aluizio, porem, foi muito mais feliz na sua abordagem tecnica.

Concluindo, espere uma boa briga com o livro e seus capitulos gigantescos. Uma briga prazerosa, especialmente apos o termino da sua leitura. Se voce eh marinheiro de primeira viagem em obras russas "modernas" pos-era dourada, nao espere um Dostoevsky e nem um Turguenev, pois a leitura eh muito diferente. Mesmo assim, impossivel nao reconhecer Doutor Jivago de Boris Pasternak como leitura obrigatoria dos amantes e estudiosos da literatura russa em si e historia mundial em geral, assim como os amantes de estudos sobre filosofia politica e governamental. Uma boa sorte aos embarcantes do barco Jivago.

Dispersao

Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto.
É com saudades de mim.

Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...

Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.

O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que me abismaste nas ânsias.

A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.

Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.

Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que protejo:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projeto.

Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...

Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas pra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...

Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...

(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que sonhei!... )

MARIO DE SA CARNEIRO

Deducao

"Nao acabarao com o amor,
nem as rusgas
nem a distancia.
Esta provado,
pensado,
verificado.
Aqui levanto solene
minha estrofe de mil dedos
e falo:
Amo
Firme
Fiel
e verdadeiramente"
-Maiakovsky

Como ja Dizia o Poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu

Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não
Não há mal pior do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir

Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão
Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não.

Vinicius de Morais

Poema Em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,


Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?


Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?


Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

-Fernando Pessoa


O Dilema do Banho

Infelizmente vivemos em um pais onde a desigualdade social nao permite a camada nao-elitista a ter um sistema de calefacao interna em suas casas, o que resulta em um ambiente caseiro frio, ou seja, um ambiente hostil para o banho. Portanto, o processo de banhar-se deve ser lento e bem planejado e vc deve ser frio e calculista.

Primeiro, vc deve se perguntar: PQ ESTOU FAZENDO ISSO?
  • O seu banho eh algo vital para a sua saude?
  • Eh uma necessidade fisiologica?
  • Eh apenas mais uma acao encorajada pelos governos capitalistas neo-liberais emergentes que nao investem na industria perfumeira do pais?
  • A sua mae, namorada, e animais de estimacao ja estao reclamando?
  • Vc esta preparado psicologicamente e fisicamente?
Se depois de ponderar esas perguntas acima, voce optar pelo banho, parabenize-se, vc ja eh um vencedor! Porem, antes de comecar algumas coisas devem ser decididas:
  • Vc ja tem uma agilidade consideravel no ato de tirar a roupa e no ato de se vestir?
  • Quanto tempo vc pretende ficar no chuveiro ( minimo de 15 minutos ja que ja tirou a roupa)
  • Qual eh o melhor lugar para colocar as roupas q vc vai vestir ( para minimizar o tempo que se leva desde que se desliga o chuveiro ate se secar e se vestir )
  • Tirar a camisa ou a calca primeiro?
Depois de tudo isso..vc esta pronto...bom banhoo !!




O Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce

"I also am sure that there is no such thing as free thinking inasmuch all thinking must be bound by its own laws."
"E tb tenho certeza q nao existe tal coisa como o livre pensar pq todo pensamento tem q ser preso as suas proprias regras"
O Retrato do Artista Quando Jovem - James Joyce

O homem nao eh livre para pensar. Cada individuo possui uma cartilha de regras a serem seguidas por si mesmos que limita o campo de pensamento de cada um. Essas regras sao passadas por membros da familia, experiencias pessoais, e pela sociedade.

Inegavelmente essas regras podem ser consideradas dogmas, pois sao verdades absolutas para o seu portador. Por consequencia, elas se tornam a policia do pensamento, impedindo o ser humano de chegar a conclusoes complexas sobre muitos assuntos. (Pauso para falar q nesse ponto Admiravel Mundo Novo bate 1984..mas isso eh assunto para outra postagem).

Precipuamente, eh valido citar um exemplo corriqueiro na vida dos brasileiros: o amor ao futebol. Um Corinthiano nunca vai cogitar a possibilidade de admitir, de pensar, de raciocinar sobre a superioridade de algum outro time sob o seu. Por analogia, um sao paulino nunca admitiria que alguma decisao erronea pela arbitragem a favor do seu time seja perjurativa ao futebol.

Exemplos como os de acima mostram q existem barreiras impostas ao nosso pensamento. Mas podemos citar dezenas mais. No plano emocional: quem nunca se apaixonou por uma baranga e jurou para todos os amigos que ela era o ser humano mais bonito da face da terra?; No plano profissional: varios empreendedores que perderam fortunas ao manterem-se vinculados a empreendimentos de fracasso certo; No plano social: de que outra maneira explicar o racismo racial a nao ser por a inabilidade humana de pensar de forma coerente?

Decerto, o ser humano tem algemas no cerebro. Se fosse livre para pensar, tb seria livre para ser condenado por seus pensamentos, e isso eh uma loucura. Einstem nao tem culpa pelo o q aconteceu em Hiroshima, Santos Dumont nao tem culpa pelos avioes de guerra, e Ivan Karamazov nao tem culpa na morte do seu pai.

Contudo, eh necessario falar que as algemas que limitam o pensamentos, sao afinal de tudo, algemas. Isso quer dizer que elas podem ser quebradas. Isso eh raro, porem, pq ao tentar se livrar das suas regras, o ser humano encontra um rio de emocoes turbilhantes e vivas para enfrentar. Tentar andar contra esse rio, ou seja, os dogmas religiosos, morais, e socias eh pisar em terreno perigosissimo. Quando alguem opta por isso, esta andando em verdadeiras minas terrestres vivas, e tem q estar preparado para balancar, e balancar muito.

Em suma, cuidado. Nao ser livre para pensar pode nao ser o fim do mundo.

O importante eh q somos livres para agir.

A Palavra a 12 Mil Watts

Joao Guimaraes Rosa, escritor brasileiro de grande renome, disse em um dos seus livros que as palavras tem "canto e plumagem." Ele foi muito feliz em sua citacao, sendo ela extramamente verdadeira e evidente no nosso meio social. Sem duvida alguma, as palavras vem afetando nossa esfera economica, politica, e emocional de maneiras extramamente diversificadas.

No plano economico, temos que falar dos slogans. "Beba Coca-Cola," "Use Havaianas, As Legitimas," e "Voe nas asas da Goodyear," sao frases comuns do nosso cotidianos e estao ligadas a multinacionais poderosas. Essas palavras e frases mexem com o ser humano, levando-o a usar e ate apoair fervorasamente a sua marca de escolha. Nao eh a toa que empresas gastam milhoes com agencias de publicidade e propagando todos os anos. "Amo muito tudo isso"? Nao sei!

No plano politico, o poder da palavra eh evidente e preucupante. Roupas 50% off, I love you, e e-mail tem encantado os brasileiros nessa ultima decada. Essas palavras, q nao sao do portugues, eh o resultado de uma globalizacao desenfreada. Ao pronuncia-las, o cidadao se sente culto e atualizado. A populacao esta falhando entao, por nao reconhecer q isso se trata de um dominio cultural, em outras palavras, assim que esse eh o primeiro passo para um imperio dominar regioes mais fracas, a imposicao de uma lingua. Aldo Rebelo, deputado federal e presidente do Partido Comunista Brasileiro, ha tempos vem alertado para este perigo iminente, porem nao esta tendo muito sucesso. Talves o poderio lexico americano eh tao forte quanto o seu poderio militar.

Mas eh no plano sentimental e emocional onde as palavras mostram sua potencia em todo o seu esplendor. As palavras nos fazem rir, chorar, gritar, se lamentar, nos ofender entre outras coisas. Quem nunca ouviu o sabio proverbio popular: "Me de um soco e logo esquecerei, me injurie e por longo tempo lembrarei"? Quem nunca estremeceu ao ouvir o primeiro "Eu te amo" da pessoa desejada? Stendhal disse q o melhor momento de uma paixao eh quando se recebe o primeiro aperto de mao da pessoa amada. Poderia ele nunca ter ouvido as palavras "eu te amo" entao?

Portanto, a potencia das palavras, seja ela estranha como for, eh evidente e inegavel. Desde a pratelheira de um supermercado a uma carta de amor, nao podemos negar o poder q ela exerce sobre o ser humano. Em suma, cuidado com o que pronuncias, vc nunca sabe o estado de espirito do seu interlocutor.

"Pão ou pães é questão de opiniães."

O Vermelho e o Negro

Nesse blog, vou comentar minhas leituras, que tanto me ensinam. Nao queria comecar com O Vermelho e o Negro, pois assim como O Mulato de Aluizio de Azevedo, eh um daqueles livros que da vontade de estracalhar e quiemar depois de ler. Tudo isso, pq nos mostra como nos, seres humanos, somos baixos e vis. Mesmo assim, uma pena eu nao ter lido ele antes.

"Aos vinte anos, a ideia do mundo e a preucupacao do efeito a produzir sobre ele vencem tudo mais"
- O Vermelho e o Negro - Stendhal


Apesar de ter sido escrito em 1830, muitos ensinamentos em O Vermelho e o Negro podem ser indubitavelmente aplicados a sociedade moderna. Em tempos pessoas melhores, podia considerar a frase acima como ode ao espirito da juventude, mas as circunstancias pessoais atuais nao me permitem isso. Não posso deixar de sentir a ironia e a zombaria de Stendhal para com a juventude. Não eh certo se ele era um conservador, assim como Burgess, mas posso fazer uma ligacao entre essa frase e a famosa obra Laranja Mecânica. Eu posso estar exagerando, mas calma!! Eh culpa do momento.

Tenho culpa de estar puto com a algums dogmas que a sociedade impos como valores absolutos? Padroes de comportamento me aborrecem. Acho q estou estressado e como resultado estou aqui descontando no teclado e em voce, pobre leitor que ja deve estar cansado de jovens pseudorevoltados.


Confesso que ainda faco parte dos persnonagems que se enquadram na citacao de Stenhdal. Posso ir longe, e ate admitir q as veses sou hipocrita assim como Julien (se nao fosse..nao estaria aqui escrevendo isso). Ah! mais como estou me esforcando para mudar, e como esta sendo dificil! Declaro vitoriosa aquela mulher que faz chapinha, sai de casa, a chuva cai, o cabelo volta a ser black power e ela nem liga. Ou ainda aquele cara q danca na balada como danca em casa. Doce vitoria a deles.


Quantas vezes a felicidade passou por nos e nao agarramos com as duas maos, com medo de ser ridiculo. Deixamos de viver,
para produzir sob o mundo algum efeito. Infelizmente muitos de nos jovems vendemos nossos sonhos por pequenos prazeres.
Mas vou sair dessa. Ser carefree eh minha meta. A luta contra si mesmo, pode ser a mais dificil das batalhas. Mas a vitoria, eh a mais deliciosa.

"No meio de tantos perigos resta me eu!"
- O Vermelho e o Negro - Stendhal

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Para vocês me conhecerem melhor

Eu sou uma figura dinamica, sempre vista escalando paredes ou carpindo terrenos (trabalho da prefereitura eu sei, mas nao consigo ficar esperando eles). No meu horario de almoco eh comum eu trabalhar na remodelacao de estacoes rodoviarias aqui na regiao, tornando-as mais eficientes na area de retencao de calor. Eu traduzo composicoes etnicas de refugiados afegaos, escrevo operas que ganham premios internacionais, e manejo meu tempo eficientemente. As vezes eu nado por tres dias seguidos.

Eu conquisto as mulheres com meu jeito sensual e divino de tocar a Sitara Indiana. Eu piloto bicicletas em subidas em uma velocidade absurda e eu consigo assar bolos de trinta minutos em vinte minutos. Como bolinhos de chuva, em dias ensolarados. Eu sou mestre em caxeta, um veterano no amor, e um fora da lei no Cambodia. Gosto de comprar caixas de bomboms, separar eles por cor, e fazer de conta q sao pequenos povoados. Entao, eu resolvo os problemas deles com a criacao de blocos economicos e acordos de livre comercio.

Usando somente um galho e um copo grande de agua eu defendi sozinho uma pequena vila na bacia amazonica de um ataque de um grupo feroz de formigas vermelhas. Eu toco viola caipira, ja joguei no time junior do corinthians, e ja fui centro de muitos documentarios de estudantes de cinema. Quando estou entediado, eu construo grandes pontes de suspensao no meu quintal. Eu gosto de para gliding urbano. Nos sabados, depois da escola, eu arrumo os eletrodomesticos das vizinhas de graca.

Eu sou um artista abstrato, um analista concreto, e um leitor devorador. Criticos do mundo inteiro se aglomeram sobre minha linha original de jeans para a noite. Eu nao perspiro. Eu sou um cidado normal, mas mesmo assim recebo cartas de fans. Eu ja fui o ligador numero 9, e mesmo assim ganhei os tiquetes para o show do fim de semana. Eu ja fui artilheiro do campeonato da cidade. Meus arranjos florais me ganharam fama nos circulos internacionais de botanica. As criancinhas confiam em mim.

Eu consigo bater raquetes de tennis em objetos pequenos com uma precisao mortifera. Eu ja li Memorias Postumas de Bras Cubas, Sagarana, e Os Sertoes em um dia, e ainda tive tempo para arrumar a casa. Eu sei o local exato de cada item no supermercado. Eu ja estive em varias operacoes secretas da policia federal. Eu durmo uma vez por semana; e quando durmo, durmo em uma cadeira. Em ferias no Canada eu negociei, com sucesso, com um grupo de terroristas q tinham se apoderado de uma pequena padaria. As leis da fisica nao valem para mim. As vezes sou mais avoado que Julien Sorel e mais apaixonado que Dmitri Karamazov.

Nos finais de semana, para esfriar um pouco, eu participo de concursos de full contact origami. Alguns anos atras, descobri o sentido da vida, mas esqueci de anotar. Eu ja fiz refeicoes incriveis, usando apenas uma tostadera. Eu crio ostras. Eu ja ganhei luta contra touros em San Juan, Competicoes de mergulho no Sri Lanka, e o concurso de soletragem russo no Kremlin. Eu ja fui Romeu, em Romeu e Julieta. Sei cantar todas as musicas do Queen, Rush, e Abba.

E ainda nem passei na faculdade (caramba, devia ter prestado economia).