Esse livro é uma incógnita para mim. Ao tentar explicar á minha prima a minha experiência ao ler-lo, inventei uma teoria de buteco sobre livros chatos. Cheguei ao seguinte resultado: existem dois tipos de livros ruins. O primeiro tipo são livros como O Ateneu, que são completamente ruins e não é possível salvar deles sequer um parágrafo ou frase para colocar no MSN. O segundo tipo são livros como Os Trabalhadores do Mar, que são muito parados, chatos para ler, e bastante tedioso a não ser por alguns momentos de ápice em que a atenção do autor eh cativada; porém, deles são possíveis salvar muitas coisas.Surpreendentemente, eu e meu amigo fizemos uma musica com passagens do livro. Não vou postar aqui pois prezo os ouvidos daqueles quem conheço.

Sim, é possivel aproveitar algumas passagens de Os Trabalhadores do Mar, um livro excessivamente romântico (chega a ser bem cómico). O que me desanima nele são as oscila coes na narração (Victor Hugo deve ter feito de propósito, só pra tirar uma com a nossa cara). O livro é emocionante de 75 a 75 paginas. Vai de aventuras rápidas e interessantes a narrações intermináveis e tediosas sobre madeiras de lei e sua eficácia nas embarcações em um segundo.

Eu nem ia comentar sobre esse livro, apenas o faço porque quero dedicar uma passagem dela para Michelle:
"Há uma porção celeste nessa menina. Alegras-te por vê-la tão esquiva, tão ligeira, tão ligeira, tão fugitiva; agradeces-lhe a bondade de não ser invisível, ela, que poderia, creio eu, ser impalpável. Neste mundo o lindo é o necessário. Há mui poucas funções tão importantes como esta de ser encantadora. Que desespero na floresta se não houvesse o colibri! A beleza basta ser bela para fazer bem. Há criatura que tem consigo a magia de fascinar tudo quando a rodeia; ás vezes nem ela mesmo o sabe, e é quando o prestígio é mais poderoso; a sua presença ilumina, o seu contato aquece; se ela passa, ficas contente; se para, és feliz; contemplá-la é viver; é a aurora com figura humana; não faz nada, nada que não seja estar presente, e é quando basta; de todos os poros sai-lhe um paraíso; é um êxtase que ela distribui aos outros, sem mais trabalho de que o de respirar ao pé deles. Tem um sorriso que - ninguém sabe a razão - diminui o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes, que queres que diga?"
"Quando há duas criaturas, a vida é possivel. Havendo uma só, parece que nem se pode arrastá-la. É a primeira forma de desespero. Mais tarde compreende-se que o dever é uma série de aceites. Contempla-se a morte, contempla-se a vida, consente-se na última. Mas é um consentimento q sangra."
"Quando há duas criaturas, a vida é possivel. Havendo uma só, parece que nem se pode arrastá-la. É a primeira forma de desespero. Mais tarde compreende-se que o dever é uma série de aceites. Contempla-se a morte, contempla-se a vida, consente-se na última. Mas é um consentimento q sangra."
Quanta saudade. Assim que tiver mais coragem, escrevo algo.
