Para começar, vamos ser sinceros e concordar que o livro não deveria se chamar Anna Karenina e sim Levin Dmitrievitch.A historia centrada ao redor de Levin é muito mais interessante do que a da "heroína" Anna. Levin confronta e vence, apesar de todos os seus sofrimentos, o maior adversário que o ser humano pode ter: si mesmo. Levin consegue vencer através de uma luta árdua, que envolve muito perdão próprio, seus conflitos religiosos, profissionais, e amorosos (o fora que ele leva logo no começo do livro é monstruoso, mas não vamos falar agora de cenas tão humilhantes).
Ao contrario da historia de Levin, a historia de Anna é chata demais. Anna é chata demais. Que vontade de dar um pedala nela. Chata, ciumenta, birrenta, mimada, e vingativa. Essas são as muitas qualidades de Anna Karenina. Alias, não só dela, como de todas as pessoas apaixonadas; e é por isso que a historia é chata. É uma historia velha e que acontece com todo mundo pois todos nos temos um pouco de Anna dentro de nós. Portanto, quando queremos ser apresentados a uma historia de amor desastrosa, não precisamos ler Anna Karenina; precisamos apenas lembrar das nossas. Já são desgraçosas o bastante.
Em suma, um livro bom, apesar do nome equivocado. Muito bem escrito, com capítulos curtos, o que torna a leitura agradável. Vale a pena ler-lo pela história de vida de Levin, que pode servir de exemplo de como perdoar a si mesmo, pode muitas vezes ser o caminho da felicidade.
